sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Mercados Municipais... mais polêmica!

O governo do Barbosa Neto (PDT) realmente está me surpreendendo positivamente. Acho que a imprensa está gostando, afinal, deu bastante trabalho com as polêmicas e "cutucadas nas feridas".

A nova polêmica agora é a licitação dos boxes nos mercados municipais da cidade. Atualmente, temos 3 mercados, o do Quebec, do Shangri-lá e do Guanabara. O mais famoso e completo é o do Shangri-lá, com comerciantes bastante renomados na cidade pela qualidade e variedade de seus produtos.

Outra questão também é que surgiram 2 novos "mercadões", mas particulares. Um é na av. Harry Prochet, chama-se Mercado da Cidade, e o outro ainda está em construção na r. Bento Munhoz da Rocha, em frente ao Lago Igapó II, na Gleba Palhano, é o Mercado Palhano. Ou seja, não faltará espaço para os comerciantes que serão despejados dos outros mercadões, né? Ou será que o despejo foi um jeito encontrado entre Prefeitura e empreendedores para que haja ocupação nesses novos mercadões...????

Mercado da Cidade, não se sabe quem é o autor do projeto com qualidade duvidosa. Apesar de ter vendido quase todos os boxes, não conseguem locá-los por conta de vários erros no projeto e na implantação do empreendimento, elefante branco à vista...

 





Mercado Palhano, projeto do Arquiteto Guilherme Torres, ainda está em construção e utiliza soluções "eco-sustentáveis", boa parte dos boxes já está negociada...










Mas, polêmicas e divagações à parte, temos também que considerar o valor histórico que alguns desses mercadões possuem, como o Mercado Shangri-lá que já possui um comércio bastante tradicional na cidade, como o Strassberg, Irmãos Furuta, Banca Flamengo, Floricultura Shangri-lá, etc... E é o mais antigo também, está lá desde a década de 60 e até abrigou a 1ª Feira Agrícola da cidade, que deu origem a ExpoLondrina (Exposição Internacional Agropecuária e Industrial de Londrina). Sendo, assim, um monumento histórico para a cidade por toda a tradição que está presente e consolidada no cotidiano do londrinense. Não tem cabimento saírem de lá para colocarem novos comerciantes.

Como assim? Sim, isso mesmo! A Prefeitura expulsará todos os comerciantes dos mercados municipais para abrir uma licitação para novos ocupantes, algo semelhante ao que fizeram com os quiosques no Centro. A intenção da Prefeitura é que os comerciantes nestes locais possuem permissão de uso e pagam um singelo aluguel que além de estar defasado, não condiz mais com a realidade dos locais. Tudo bem, até aí é um ponto justo. Porém, por quê não só atualizar a planta de valores dos mercados e reajustar os aluguéis? Por quê expulsar os comerciantes já bastante tradicionais nesses pontos?

E por quê também não fizeram isso com os quiosques no Centro? A diferença aqui é que os quiosques estavam irregulares fisicamente nos locais, atrapalhando inúmeras calçadas e até o próprio Calçadão (ver post "Quiosques do Centro... justo ou injusto?"). Os mercadões são espaços delimitados para a exploração das atividades de vários comerciantes em local público-privado, os quiosques são espaços delimitados para a exploração da atividade de um comerciante em um local público.

O vereador Padre Roque (PTB) enviou um projeto de lei tombando o Mercado Shangri-lá como patrimônio histórico de Londrina, uma tentativa de preservar o local e os comerciantes dali. Porém, ainda não sei se isso vingará ou se é a solução para preservar os mercadões. Acho que falta bom senso em alguns aspectos e até jogo de cintura por parte dos administradores do prefeito para saberem lidar com a situação, que é delicada e muito polêmica.

Por exemplo, serão retirados os comerciantes e será feita alguma obra de revitalização nos locais? O Mercado do Quebec está sujo, bagunçado e com aspecto de abandono, mas é o único que possui estacionamento próprio e é a sede de terça-feira da Feira da Lua. O Mercado do Guanabara e o do Shangri-lá estão bem cuidados. Mas, faltam outros atrativos a todos eles, precisa ter uma atualização nesses espaços para as novas modalidades comerciais, como restaurantes, espaços de lazer e entretenimento, etc. Os mercadões já são muito conhecidos na cidade e necessitam de atualização, porém, não é expulsando os comerciantes tradicionais que teremos essa atualização, será uma grande perda para os espaços. Inclusive, podendo falir alguns deles em virtude dos lançamentos dos novos mercadões pela iniciativa privada.

Fotos do autor.

5 comentários:

Iris disse...

Acho muito válido seu comentário e bem interessante o seu ponto de vista. Eu vou ao mercado do Shangri -lá pelos produtos, e nao pelo espaço que ele ofereçe. É a torta, o pastel, a Ida das flores, o Furuta, o Rancho, e por aí vai. Concordo que retirar os comerciantes tradicionais e abrir uma nova licitação (hein?) é um tanto quanto polêmica e razoavelmente delicada. Espero que algum atrativo esteja sendo pensado para estes mercados municipais.

Muito bom o post Marcel.

Dafne disse...

Acho que o que faz o Mercado Shangri-la é justamente a disposição casual dos comerciantes e o ar bastante retrô de muitos dos estabelecimentos. Eu que fiquei fora da cidade durante 5 anos o tenho como uma referência de Londrina e o lugar onde levo as pessoas que não são daqui pra conhecer. Com certeza ele necessita mais de um restauro para melhorar seu aspecto físico do que de expulsões descriteriosas que podem resultar numa perda muito maior do caráter do lugar... vamos ver como as coisas andam e torcer...

Marcel disse...

Pois é... o pior de todos nesta remoção é o caso do Mercado Shangri-lá que já está muito consolidado no cotidiano dos londrinenses e presente na história de Londrina há mais de 50 anos!

Até foi referência na reportagem da Folha de S. Paulo que eu publiquei no post logo abaixo...

Mas é fato que os mercadões precisam de uma reforma geral para atender às novas modalidades comerciais!

Renata disse...

Amigos do Mercado Shangri-lá

Junte-se a nós para salvar este patrimônio histórico de Londrina!!!


http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=105925705

Obrigada.

Anônimo disse...

O barbosa comeu cocô..

e o pequeno comerciante? não vai mais poder colocar uma faixa de preços na frente da loja? panfletar, nem pensar, pois a lei "cidade limpa" proibe...vão fazer o que? anunciar na globo em horário nobre? que me desculpem os "entendidos", mas estas desapropriações de quisques, mercado municipal, me cheira coisa pior do que "marmita do belinatti"...