segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Ponto de vista de um jornal...

Mais uma vez, irei publicar um texto que não é de minha autoria, desta vez será um editorial de um dos jornais mais respeitados do país, O Estado de São Paulo, mais conhecido como o Estadão. O texto foi vinculado na edição do dia 26 de setembro, domingo, que era o fim-de-semana anterior à eleição no 1º turno. O jornal coloca a sua opinião e os motivos pelo qual não vota na candidata petista, inovando na imprensa brasileira. Pra se ter uma idéia, é muito comum e tradicional isso nos EUA, a imprensa de lá sempre expõe o porquê vota em tal candidato.

O Estadão inova porque vivemos um momento delicado em que a liberdade de imprensa poderá ser cortada, conforme propõe o PT (ver post "Eleições 2010: ditadura ou democracia?"). Isso significa também que este blog e muitos outros poderão sumir e ter os seus autores perseguidos... duvidam? Já sofri perseguições políticas no passado, imagine se houver a censura prévia...

Leiam o editorial e tirem suas próprias conclusões, essa é a minha intenção, colocar o eleitor para refletir um pouco antes de votar na suposta "continuidade". Prefiro dar o benefício da dúvida ao Serra, que continuará todas as coisas boas na área social e econômica do governo Lula (afinal, tiveram início no governo tucano anterior). MAS, o PSDB já provou não atacar a democracia quando FHC foi presidente, ele sempre citava Voltaire: "Não concordo com uma única palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-la!"

O mal a evitar

A acusação do presidente da República de que a Imprensa "se comporta como um partido político" é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre "se comportar como um partido político" e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.

Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.

Efetivamente, não bastasse o embuste do "nunca antes", agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.

Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa - iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique - de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.

Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia - a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o "cara". Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: "Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?" Este é o mal a evitar.

2 comentários:

Marcel disse...

Esclarecimentos...

Eu tenho nada contra o PT em si, o q eu tenho posição contrária é ao fato do PT aparelhar a máquina pública a favor dos "cumpanheiros"! Nunca antes na história desse país, o governo federal teve tantos gastos com funcionalismo!!!

O pior é a criação de inúmeros cargos comissionados, ou seja, cargos sem concurso público... q na maioria dos casos só servem para apadrinhar os partidos da base aliada em troca de favores e apoios aos projetos, é como uma compra de votos!

Outra coisa q sou contra é a perseguição de opositores e a famigeração da imprensa q denuncia... Isso fere os princípios democráticos e a aproximação do PT com governos ditatoriais, como a Venezuela e o Irã, só piora essa condição...

Isso tudo não reflete os interesses dos brasileiros, vejo focados apenas nos interesses do partido...

Dafne disse...

Concordo, Marcel, tanto condigo como com o editorial do Estadão. Me assusta toda essa paspaquada que ocorreu no governo Lula e todo mundo acha "normal" e esse absurdo dele se meter a apoiar um candidato e ainda dizer que a "oposição só quer falar mal do governo" (ele não era oposição? não é esse o papel dela, questionar??), fora as proibições à imprensa, pq parece que só ele pode falar e desfalar (e muitas besteiras...). Isso é perigoso...